(Nem tão) de repente 30!

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Com 20 anos eu adorava fazer planos, mas tinha medo de sonhar. Perdia horas de sono calculando os próximos passos, o próximo destino. Traçava todos os cenários possíveis como se, assim, nada pudesse acontecer fora do planejado. A vida ria da minha cara, tentando me ensinar – ora com mais drama, ora com menos – que as coisas não são bem assim.

Eu queria conhecer o mundo, sem perceber que mal conhecia a mim mesma. Desisti das malas gigantes, quando me dei conta que o que mais pesava eram as expectativas que eu carregava sem nem saber que não eram minhas. Deixei-as rolar escada abaixo e pude respirar, aliviada.

Eu andava por aí querendo salvar o mundo. Me colocava em situações arriscadas e quebrava a cara. Até que entendi que, se fosse para salvar algo, tinham que ser as partes mais frágeis em mim. Só eu poderia fazê-lo.

Achava que ter coragem era sinônimo de fechar as malas e partir, sem olhar para trás. Aprendi que coragem muito maior é abrir as feridas e sentir. Olhar para dentro. Acolher e deixar doer, até curar.

Compreendi que só coração partido consegue se abrir. E só coração aberto faz a vida pulsar. E que juntar os pedaços é a melhor forma de me tornar mais inteira, resgatando partes minhas que estavam projetadas no outro.

Aprendi que, na viagem da vida, mais vale ter uma bússola, do que um GPS. Calcular rotas exatas pode ser uma ilusão bem confortável. Nem por isso deixa de ser ilusão.

Descobri que sempre escolhemos nossos companheiros de viagem, inclusive aqueles que mais nos incomodam. E que o mais importante não é aonde vamos chegar, mas o quanto conseguimos aproveitar e aprender no caminho.

Minha avó sempre reclama que “ficar velho não presta, não”. Mas, se completar décadas não é garantia de amadurecimento, tampouco precisa ser sentença de envelhecimento. A gente não envelhece com o passar do tempo. Envelhece quando desiste de aprender, quando se fecha para o novo e quando perde a habilidade de se encantar com a vida… seja aos 20, aos 50 ou aos 90 anos!

Minha Brasília, Nossa Brasília

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A primeira vez que nasci não foi aqui
Mas já nasceram tantas versões de mim desde que estou em Brasília
Que sinto que posso chamar também essa cidade de minha
E se hoje me sinto tão em casa por aqui
não foi porque Brasília me acolheu
mas porque eu a acolhi
 
Brasília
Com sua simetria, suas tesourinhas, siglas, ipês e quero-queros
Com suas ruas largas e gramados vastos que,
segundo o lambe-lambe no viaduto,
expandem a distância entre os corpos
 
Bras-ilha, muitos dizem
e querem me convencer
mas, ao acolher essa distância expandida,
criamos um terreno fértil para construir pontes
e é então que começam a aparecer em nosso caminho
outros corpos vibrando na mesma frequência
 
e, juntos, criamos pontes e mais pontes
que superam (muito mais que a distância entre os corpos)
a distância entre as almas!
e, juntos, damos alma à Brasília
porque é isso que fazemos aqui….
 
Lúcio Costa, Niemeyer e outros tantos fizeram as linhas, fizeram os corpos
mas cabe a cada um de nós que escolheu (ou foi escolhido para) viver aqui
dar o sopro de vida a essa cidade
que é avião
mas pode ser pássaro também.
 
Cidade inventada
e reinventada a cada instante por quem escolheu
se inspirar nela
para sair do eixo
e voar com as próprias asas
 
E, nesse aniversário da cidade,
parabéns vai a todos que doam um pouco de sua alma
para, juntos, criarmos a de Brasília!

Existe amor em SP?

Acabo de passar uns dias em São Paulo e, sempre que chego na cidade, me vem à cabeça Criolo dizendo que não existe amor em SP. É claro que existe, penso, discordando dele. Penso nos amigos incríveis que tenho em São Paulo e nos bons momentos que já passei por lá. Se isso não é amor, o que mais pode ser?, perguntaria o Flausino.  Continuar a ler

Pack light!

Hoje, enquanto esperava na fila do check in no aeroporto, ficava prestando atenção à quantidade de bagagens das pessoas. Tinha gente que mal conseguia empurrar o carrinho, de tanta coisa em cima. Mesmo sem saber quão longa era a viagem dessas pessoas, me arrisco a dizer que elas NÃO precisavam daquilo tudo. Parece que brasileiro tem mania de exagerar nas malas. Nunca vi outro país em que o limite de bagagem seja 2 volumes de 32kg, mesmo para voos internacionais. Não é a toa que somos mundialmente conhecidos por isso. Continuar a ler

Sair da zona de conforto? OK. Mas o que isso quer dizer?

Um conselho comum que circula nas redes sociais hoje em dia é “saia da sua zona de conforto”. Dizem que é fora da sua zona de conforto que você aprende, que você amadurece, que você vive, que você é feliz, que seus sonhos se realizam, etc. Eu geralmente concordo quando vejo isso sem refletir muito ou tentar interpretar o que quer dizer “sair da sua zona de conforto”. Hoje, lendo um desses posts a explicação que se seguia a SAIR DA ZONA DE CONFORTO era: “vá a um bar diferente do que costuma ir”. Quêêêê? Pera aí… Bastava ir a um bar diferente pra aprender, amadurecer, realizar sonhos e eu vim parar aqui em Luanda pra sair da minha zona de conforto?!?!?!