Doce ilusão

É madrugada e me aconchego na ilusão de que o travesseiro é seu peito e o cobertor seus abraços. As lágrimas que molham meu rosto é o seu suor depois do êxtase. É uma doce ilusão que me faz perceber como sinto a sua falta, por mais que eu tente me convencer que o tempo já foi o bastante para te apagar de mim.

O tempo cura tudo, é o que dizem. E talvez cure mesmo… Mas curar a dor de um amor ausente não quer dizer apagá-lo. Não. Não há tempo o bastante no mundo para lavar o seu toque da minha memória. Para silenciar a batida do seu coração acelerado enquanto me aninho em seu peito. Para apagar o seu cheiro ao meu lado enquanto dorme tranquilo.

Cantava Cazuza que o nosso amor a gente inventa para se distrair. E talvez ele até tivesse razão. Mas amor é dessas criações que depois se libertam do criador. Ganha vida e asas para voar por aí. E voa deixando a síndrome do ninho vazio… Vazio como o seu peito, que já não é onde descanso minha cabeça, desde que nosso amor voou por aí.

Se fui eu que inventei nosso amor, por quê é tão difícil desinventá-lo? Parece mais fácil seguir me iludindo com a sua sombra no travesseiro ao lado. O travesseiro molhado… de lágrimas ou de suor. Pouco importa… de qualquer forma, é amor. Consumado ou rejeitado… é amor.

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