Sobre o ridículo – medo de fantasmas

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Quando eu era criança, eu não tinha medo de fantasmas. Mas, à medida que fui crescendo, comecei a acreditar neles. Um que muito me assombrou foi o fantasma do ridículo. Diz o dicionário que “fantasma” é “uma imagem ou visão quimérica e assustadora”. “Ridículo” é aquilo “que provoca riso, escárnio ou zombaria”. E o medo do ridículo nada mais é que achar que você será isso que provoca riso, escárnio ou zombaria.

Já deixei de fazer muuuita coisa por medo desse fantasma. Logo eu que, desde criança, fui sempre tão racional e achava que fantasma nem existia… Descobri que existe, sim! Carl Jung dizia que, se algo produz efeito, é real, existe. Quer efeito mais dramático do que definir o que fazemos ou deixamos de fazer na vida?

Primeiro, precisei aceitar isso: fantasmas existem. Aos poucos, fui criando a coragem de enfrentá-los. Levantar o lençol e ver o que dava vida àquelas assombrações.

E sabe o que encontrei por baixo do lençol do ridículo? Uma vontade pretenciosa e desesperadora de agradar todo mundo. Se não fosse para agradar todo mundo, era melhor nem fazer nada. E como agradar todo mundo é impossível, adivinha? Era bem isso que eu fazia: nada. Se eu não tivesse A melhor coisa do mundo para falar, por quê me manifestar? E é claro que eu não tenho A melhor coisa, assim, no superlativo. Então, eu me calava. E me calei muitas vezes. 

Junto com isso, tinha também a ideia de que meu valor vinha do que eu faço/falo. E aí uma crítica, uma discordância, por menor que fossem, eram sentidas como um ataque a quem eu sou. E, assim, eu ia sustentando esse tal fantasma do medo do ridículo.

Se hoje estou assumindo esse lugar de me expressar mais, não foi porque descobri a fórmula mágica para agradar a todos, mas porque tenho tentado me libertar dessa exigência impossível. Tenho tentado abraçar mais a minha vulnerabilidade, como sugere a Brené Brown nesse Ted maravilhoso.

 Ainda tem muitos fantasmas que me assombram, é fato. Sigo reunindo a coragem para levantar outros tantos lençóis. E você, o que já deixou de fazer por esse ridículo medo de fantasmas? E por medo do fantasma do ridículo?

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