Quando um ego 7 leva a consciência para passear

Paula Coury

Eneagrama-repesca

Tudo está bem quando, de repente, me vem aquele sentimento já bastante familiar que costumo chamar de “fogo no rabo”. Volta e meia ele aparece “do nada”. Depois de alguns anos nessa caminhada de autoconhecimento com Eneagrama já consigo ter consciência de que isso é minha personalidade 7 em ação. Ainda assim, nem sempre consigo segurá-la.

Foi o que aconteceu outro dia… Quando veio o fogo no rabo, eu não conseguia parar de pensar na festa incrível que eu deveria estar perdendo naquele momento. Parei o que estava fazendo e decidi ir, mas com o cuidado de levar junto minha consciência. Chegando lá, qual não foi a minha surpresa ao perceber que não tinha festa nenhuma. Era só um bar, com poucas pessoas sentadas e quase ninguém conhecido. 

Senti toda a frustração da minha personalidade, misturada com um riso irônico de “eu já sabia” vindo da minha consciência. Tivesse eu ido só com meu ego 7, certamente sairia dali em busca da festa incrível que com cer-te-za estava rolando em outro lugar. Mas eu tinha levado minha consciência junto e ela logo chamou um Uber para voltarmos para casa. 

No caminho de volta, eu ia pensando em tudo aquilo e foi batendo uma tristeza. Já sabia o que eu faria quando chegasse em casa: chorar. Tipo 7 em trabalho terapêutico sabe o bem que isso faz e consegue até sentir prazer em deixar espaço entre uma festa e outra para chorar. E assim foi. Cheguei em casa, chorei, sofri, senti alívio, meditei, chorei, senti, vivi, pensei, pensei… E então consegui enxergar as coisas com uma clareza nunca antes vista. Foi como se algo em mim perguntasse: entendeu seu mecanismo de defesa ou quer que desenhe?

E desenhou. Olhando em retrospectiva, consegui perceber que o tal do “fogo no rabo” começou exatamente quando aconteceu algo que me forçou a encarar um sofrimento que me acompanhava à distância há meses. Senti uma angústia grande, que logo pareceu passar. Quer dizer, “passou” no momento exato em que entrou em ação o meu mecanismo de defesa. Imediatamente meu interesse pelo que eu estava fazendo e meu foco no presente deu lugar à antecipação do prazer que eu supostamente sentiria na festa. Nascia assim o tal do “fogo no rabo”.

Só então entendi que a angústia e o fogo no rabo eram, na verdade, sofrimento disfarçado. Sofrimento por algo que aconteceu há meses, mas que em poucos momentos eu permiti que doesse de verdade. Mesmo sentindo que ele estava sempre ali como uma música de fundo, poucas vezes o deixei realmente se apresentar no palco principal. Quando finalmente o fiz, senti um alívio que me fez crer que, depois de tanto tempo arrastando esse sofrimento em banho maria, talvez eu tenha conseguido senti-lo e chorá-lo até o fim. Talvez.

Quando deixei o sofrimento vir de verdade, sempre me observando com amorosidade e sem me julgar, consegui me conectar com a minha essência com uma profundidade e consciência que eu nunca tinha experimentado antes

Com tudo isso, percebi com clareza que não é só porque descobrimos a nossa personalidade que ela pára de agir. É por essas e outras que o caminho de autoconhecimento e desenvolvimento pessoal leva, pelo menos, a vida toda. E só conseguimos progredir quando a nossa consciência nos acompanha. O caminho é eterno, mas não há dúvidas de que vale cada passo!

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