Sobre expectativas: um jantar inusitado

Sua amiga acabou de se candidatar ao emprego dos sonhos dela, mas, enquanto espera uma resposta, melhor não criar expectativas, não é?

O outro amigo acha que encontrou a mulher da vida dele, mas, já que não foi correspondido, melhor evitar manter contato com ela, para não criar expectativas, não é?

Você finalmente conseguirá fazer aquela tão sonhada viagem, mas melhor segurar as expectativas para não se frustrar, não é?

Não, não é!

Outro dia me peguei em um diálogo interno desses… “Queria tanto fazer aquilo, mas acho que é melhor não, para não ficar alimentando minhas expectativas” – disse um lado totalmente sensato e racional, que já entendera a pequena probabilidade de tais expectativas se concretizarem.

Mas ele foi logo interrompido por uma gargalhada alta que retrucou: “Sério mesmo que você acha que ainda precisa alimentar essas expectativas? Minha filha, a essa altura elas já estão bem autônomas… já até aprenderam a cozinhar sozinhas! Se liga…”.

Foi então que percebi a inutilidade desse conselho ou pretensão de não alimentar minhas expectativas [visto que elas já aprenderam a cozinhar sozinhas] e algo mágico aconteceu… a expectativa que estava lá se empanturrando e engordando me olhou e riu.

Nossos olhares se cruzaram – talvez pela primeira vez – no momento em que parei de tentar negar sua existência. Enquanto eu fingia não vê-la, ela ficava lá só comendo e se fortalecendo. Quando eu finalmente tive coragem de parar e olhá-la, ela me chamou para jantar!

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E que belo banquete!! Eu já estava nessa de não alimentá-la há tanto tempo que ela já tinha se tornado uma cozinheira de mão cheia, quase master chef.

Quando aceitei o convite, pudemos conversar. Perguntei de onde ela vinha e por quê veio. Ela me contou o que gostava de fazer por aqui e porque resistia tanto em ir embora. Nossos encontros foram se tornando mais e mais frequentes.

Gradualmente, ela parou de ser tão forte… como dividia a comida comigo, já não estava mais tão gordinha. Eu, por outro lado, fui me fortalecendo – não porque parei de alimentar minhas expectativas, mas porque deixei elas me alimentarem!

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