Meu carnaval é (no) presente

“Como foi seu carnaval?”. Imagino que você tenha tido algumas conversas assim nas últimas semanas, à medida que reencontra amigos que foram curtir essa alegria fugaz e ofegante epidemia em Olinda, Rio, Salvador… Eu tive várias… e sempre que contava que uma amiga russa veio ao Brasil para o Carnaval e que ficamos em Brasília as pessoas retrucavam com algo do tipo: “Qual é o seu problema? Como você faz isso com a menina?”, ao que nós respondíamos rindo, enquanto ela contava o quanto tinha adorado a experiência, já se intitulando “Embaixadora do Carnaval De Brasília”. O que, claro, só aumentava a incredulidade de nossos interlocutores… “Como isso é possível?”

Vem cá, que eu explico…

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Foto: Joacy Pinheiro

 

Tudo começou em 2016, quando entrei no Calango Careta, maravilhada com a perspectiva de que nem todo carnaval precisava ter fim. Desde então, paradoxalmente, a importância do Carnaval na minha vida diminuiu. Digo, daqueles cinco dias de alegria fugaz pelos quais muita gente espera ansiosamente. Já de início, deixou de ser fugaz, diluindo-se na minha vida cotidiana. O Chico cantando que tá se “guardando pra quando o carnaval chegar” deixou de ter qualquer sentido.

Aliás, a própria pergunta “Como foi seu carnaval?”, com o verbo conjugado no passado já não faz mais sentido. Meu carnaval É, no presente. É alegria, festa, êxtase, purpurina, fantasia. Mas é MUITO mais que isso. É a certeza de que, quando ninguém solta a mão de ninguém, realmente podemos fazer juntos o que não queremos, nem podemos fazer sozinhos. É amizade, companheirismo, conexão. É saber que a gente pode cair, que sempre vai ter quem ajude a levantar. É resistência. É solidariedade e empatia. É torcer por um dia de sol, mas também saber dançar na chuva de vida que cai sobre nós. É gente grande reaprendendo a ser criança. É muito amor e treta também. É aprender a acolher a nossa humanidade e nossas sombras. É cura. É compartilhar a mais pura alegria em cada troca de olhares e sorrisos. É saber que coisa boa contagia e, com isso, acreditar que realmente podemos ser a mudança que queremos ver no mundo. É isso: meu carnaval não foi, ele É um presente!

Obrigada, Calango! ❤

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