Peregrina

Peregrino: “diz-se do indivíduo andante, que viaja, que empreende longas jornadas”.
Peregrina: feminino de peregrino e nome popular da Jatropha integerrima, planta arbustiva que produz pequenas e abundantes flores vermelhas, o ano todo. Em sistemas florais, a peregrina é a flor que traz a sintonia do coração e da alegria de viver da criança interior. Recomendada para quem sente uma tristeza muito grande.

No meu trabalho, chegam “peregrinos” o tempo todo, pelos mais diversos motivos. E no jardim ficam as peregrinas sempre floridas, recebendo visitas constantes de abelhas, borboletas e beija-flores. Há quase quatro anos esse baile se desenrola diariamente na minha janela. É só levantar um pouco o olho do computador e saboreá-lo. Desde que descobri o que a peregrina representa, procuro fazer isso com mais frequência, mas sempre tem aqueles dias em que sou sugada pelo turbilhão de coisas por fazer e me esqueço de admirar as peregrinas. Hoje era um dia desses, até que uma coisa linda aconteceu…

Duas crianças “peregrinas” brincavam lá fora, enquanto aguardavam a mãe, que resolvia “coisas de adulto”. Elas corriam de um lado para o outro: da “varanda”, com vasos de plantas em que não deveriam mexer, para o jardim, onde ficam as plantas peregrinas e onde nem deveriam ir. Nós, adultos, imersos em nossos problemas de adultos, vez ou outra observávamos as crianças pela janela com preocupação, pensando em tudo o que poderia dar errado: “as crianças estão indo onde não devem”, “o que farão com a planta no vaso ali fora?”, “vão matar a plantinha…. ah não, mais uma”. Mas, logo em seguida, voltávamos a nos preocupar com nossos problemas de adultos, esquecendo-nos por um momento das crianças. Até o momento em que foram embora e fomos ver o que elas estavam aprontando…

Na varanda, encontraram um vaso grande demais e marrom demais para uma pequena plantinha suculenta, que estava ali, sozinha, em meio a muita terra. Ela era a sobrevivente de um desastre que matara outras três plantinhas e as crianças devem ter entendido que ela precisava de companhia. Peregrinaram, então, explorando o outro lado do jardim, onde descobriram a peregrina que, como de costume, estava cheia de flores a seus pés. Flores lindas, ainda vermelhas, que já haviam completado seu ciclo e retornavam à terra.

Foi então que as crianças entenderam que aquelas flores tinham ainda uma missão a cumprir e, por isso, começaram a correr de um lado para o outro – aquele movimento que a gente observava pela janela sem entender o que estava acontecendo. E o resultado foi esse!!

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Não é que o vaso grande demais, marrom demais onde a suculenta estava sozinha tinha o formato de um coração?! Só o que faltava para percebermos isso era um pouco de cor! Era a sintonia da alegria de viver da criança, que a peregrina emana ali, todo dia, pela minha janela.

Já parou pra pensar em quanta poesia pura nos escapa diariamente, enquanto nos preocupamos demais com nossos problemas de adulto? Quantas vezes nos sentimos como suculentas, tendo que sobreviver sozinhas em ambientes áridos, hostis e sem cor? E às vezes saímos peregrinando mundo afora em busca do remédio para essa dor, quando tudo o que precisamos é olhar pela janela do coração, onde ainda vive toda a alegria da criança que fomos um dia!

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