Sobre propósito, folhas e pedras

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Era hora do almoço. De olhos fechados, respirei fundo, sabendo que precisava daquela pausa. Sentia o peso nos ombros e a tensão já familiar de quem quer carregar o mundo nas costas. Tentando relaxar, olhei ao redor e me distraí observando as formigas.

Vez ou outra me pego fazendo isso… e acho fascinante o empenho e determinação com que elas trabalham. Carregam folhas até mesmo maiores que elas mesmas. Estão sempre em grupo, mas cada uma parece saber exatamente o que é sua responsabilidade e executá-la sem maiores distrações.

Trabalho duro, persistência, foco, pensamento de longo-prazo são lições que supostamente deveríamos aprender com as formigas.

Tudo isso flutuava em algum lugar da minha mente capricorniana, quando algo me chamou atenção: uma das formigas tentava carregar uma pedra!

Era algo que estava claramente além de suas capacidades. A observei por quase 30 minutos, intrigada com sua obstinação. Imaginava a força que ela deveria estar fazendo, dessas de fazer tremer todo o corpo. Se ela fosse uma pessoa, com certeza seria um marombado, de camisa cavada, postando foto no espelho da academia, levantando 100kg. Era possível ouvir seus pensamentos enquanto a observava: foco, força e fé.

A pedra mal se movia, mas ela não desistia. No máximo, parava um pouco para retomar o fôlego, dava uma voltinha para mudar de ares, mas logo voltava à sua missão. Testava estratégias diferentes… empurrar a pedra, colocá-la em cima da cabeça… tudo em vão. De vez em quando uma companheira vinha tentando ajudar, mas logo percebia a inutilidade do esforço e seguia seu caminho.

Observando a cena, o que me deixava mais consternada era pensar que toda aquela força era por causa de uma pedra. Uma PEDRA! Não era algo comestível. Não serviria para fazer um formigueiro, nem para qualquer outra necessidade básica de formiga (?). Não só era uma missão quase impossível, mas também completamente SEM PROPÓSITO! Mas em sua obstinação para executar a tarefa, a formiguinha parecia incapaz de perceber isso.

Antes que ela desistisse da pedra, tive que voltar ao trabalho. Uma pergunta me acompanhou: quanto desse peso que carrego nos ombros é folha e quanto é pedra?

2 Comments

  1. As vezes nos preocupamos a respeito de situacoes das quais o resultado nao e dependente do nosso esforco e empenho. Externalizado de maneira clara,facil e envolvente.

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