A dor de se descobrir uma laranja inteira

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“Muitas felicidades, muitos anos de vida!! Com quem será, com quem será que fulano vai casar?”. Cantar parabéns é dessas coisas que fazemos de modo tão automático, que nem paramos para refletir nas palavras ditas. Hoje em dia já nem cantamos muito essa parte final, talvez porque nos pareça uma brincadeira infantil. Mas já parou para refletir sobre o significado dessas palavras? Eu, quando parei, me assustei!

Primeiramente, trata-se de uma música para celebrar o nascimento e a vida da pessoa… por que, então, termina falando em casamento? Como se o casamento fosse uma parte intrínseca da vida… desde quando? Desejamos “muitas felicidades” e a associação automática já é que a pessoa vai se casar… ninguém canta “pra onde será que fulano vai viajar?” ou “em que será que fulano vai se realizar profissionalmente?”… Enfim, tanta coisa envolvida em uma vida de muitas felicidades e a gente só pensa no casamento! E cantamos isso desde que somos bem crianças, sem nem nos questionarmos sobre tamanho absurdo.

Desde que nascemos vamos aprendendo a viver nesse mundo que nos diz a todo tempo que não somos completos, não somos suficientes. Essa ideia de que precisamos de outra pessoa para nos completar está tão introjetada em nosso modo de pensar, viver e amar que até passamos a acreditar que somos só metade de uma laranja. Consequentemente, a busca pela completude se volta para fora. Acreditamos que ser laranja inteira é ser duas metades… mas será só isso mesmo?

Na real, ser laranja inteira é muito mais que ser duas metades. É ser, suco, semente, casca e, claro, bagaço. É olhar pra dentro de nós mesmos e saber que temos o potencial de ser TUDO, inclusive o que mais admiramos e julgamos no outro. Tão problemático quanto pensarmos que somos só metade, é nos enganarmos que somos só suco. É igualmente grave tentarmos nos convencer que não temos em nós tudo aquilo que rejeitamos no outro… agressividade, egoísmo, tristeza, ódio, preconceito… enfim, o bagaço mesmo.

Nos percebermos bagaço dói, mas só assim nos tornamos inteiros!  E o casamento nisso tudo? O casamento pode, sim, ser muito rico e nos levar mais fundo nessa busca pela integridade… mas não porque o outro vai ser nossa metade. E sim porque vai ser um excelente espelho para nos enxergarmos, também, bagaço. É, ser laranja inteira é duro, mas é doce também 😉

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