Empatia e pés descalços

pes

Há algum tempo, enquanto eu assistia o TEDx da Carolina Nalon sobre empatia, me marcou muito a ideia de que empatia não é fazer pelos outros o que gostaríamos que fizessem por nós, mas sim fazer por eles o que eles gostariam que fosse feito por eles. Eu pensei que apenas me lembrar disso meses depois de ter visto o vídeo já significava que eu havia aprendido a lição…

Hoje fui a uma cachoeira com uma amiga. Quando estávamos indo embora, eu no meu carro e ela no dela, vi uma senhora e uma menina andando no sol quente na estrada de terra. Pensei se seria o caso de oferecer carona para elas. Me chamou muita atenção o fato de que a senhora estava com os pés descalços. Pouco tempo antes, enquanto andávamos até o carro, o calor que subia do chão dava a sensação de queimar meus pés, mesmo calçados. Foram poucos segundos o tempo em que me perdi nesses pensamentos, partindo de premissas implícitas de que aquela senhora precisava de um sapato – afinal o calor do chão havia me incomodado tanto, então com certeza seria um grande problema para ela também.

Mesmo que tenham sido só alguns segundos, foi o suficiente para que eu passasse por ela e pela menina sem parar para oferecer carona. Minha amiga vinha no carro logo atrás de mim e parou. As duas aceitaram a carona e entraram no carro dela. Eu ainda estava presa ao mindset de que a senhora precisava de sapatos. Peguei o celular na hora e liguei para a minha amiga no carro logo atrás: “A senhora está com os pés descalços, né? Dá o chinelo para ela!” – minha amiga estava usando um chinelo que eu emprestara.

Andamos mais um pouco e, logo à frente, chegamos à casa da senhora. A menina desceu do carro e a senhora ainda ficou um tempo conversando com a minha amiga. Eu, na frente, olhando ansiosa pelo retrovisor para ver se quando a mulher saísse do carro ela estaria usando os chinelos. Não estava!

Só então eu percebi o que eu havia feito. Minha amiga contou que a senhora não usava sapatos há 30 anos e estava muito feliz com isso… Eu fiquei tão presa àquilo que eu assumi que a senhora precisava, que perdi a chance de saber, da perspectiva dela, o que era importante para ela naquele momento: só uma carona até mais perto de casa, para ela terminar de chegar sentindo a terra sob os pés sem o sol sobre a cabeça!

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