Óóóó!! :)

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Ver essa foto é como reviver esse momento. Sinto novamente a alegria de voltar pra casa depois de um ano fora. Ouço você dizendo “óóóó” e abrindo o maior sorriso ao me ver. Vejo você olhando para a Andréa e falando “é a Paula!!!”, enquanto coloca de lado o jornal e se levanta pra me abraçar. Muito mais do que uma memória boa, essa foto retrata um desejo: o desejo de que esses reencontros se repetissem a cada nova ida a Uberaba. Agora, já foram algumas idas lá sem que isso se repetisse. Pra não deixar o vazio tomar conta, sempre finjo pra mim mesma que você só está sentado no alpendre assistindo pela janela a pomba que faz seu ninho no poste da frente e daqui a pouco você vai gritar “Cidééélia, tô com fome”. E vai lá no quarto me acordar, porque já são mais de 11 horas e tá na hora de almoçar.

É, em Uberaba isso não vai mais acontecer… o lado bom é que, como mágica, onde quer que eu esteja, eu ainda posso te reencontrar a hora que quero, sem precisar de horas de viagem. Foi assim domingo, enquanto eu comia pipoca rosa e lembrava da nossa ida ao zoológico, quando você disse que queria pipoca doce, eu fiz cara feia, você insistiu e depois eu achei uma delícia. É assim cada vez que como rapadura com queijo. Ou quando lembro da gente jogando buraco… você saía com todos os curingas do baralho, sujava todos os jogos e depois achava ruim eu não te deixar bater sem canastra real.

É assim agora, enquanto escrevo esse texto e o aperto no peito vai sendo substituído por uma saudade gostosa, que me faz rir sozinha na frente do computador. O computador que tanto te fascinava, enquanto eu tentava te explicar o que era um email, um site, etc. E a sua risada boa, misturando surpresa e alegria quando nos falávamos no Skype e você dizia “nossa, ela tá lá mesmo!”. Ou quando eu ia te mostrar no mapa os lugares que tinha visitado e você me dava uma aula de geografia. Ou quando, assistindo TV, você dava notícia de tudo o que acontecia…. igual quando apareceu o Joaquim Levy e você me mostrou que era ele o novo ministro da economia – nem eu sabia qual era a cara dele! Ou quando eu dirigia sem passar a quinta de medo de engatar a ré por engano, até você trocar a marcha com o carro andando e me deixar toda assustada.

Hoje eu queria comemorar seus 92 anos te abraçando, comendo Crocante e brincando que “vaso ruim não quebra, não”. Já que não vai ter jeito, vou fingir pra mim mesma que é só mais uma dessa viagens longas. Daqui a uns meses vou chegar em Uberaba, você vai estar me esperando lendo o jornal e, ao me ver, vai dizer “óóóó” e me abraçar sorrindo. 🙂

É, vô, você continua me ensinando muito, mas dessa vez é a lição mais difícil de todas: como lidar com esse sentimento de que o próximo reencontro não tem data marcada no calendário na parede da cozinha.

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