Tô fraca?

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Em uma tarde de domingo em Luanda eu conversava sobre a vida com um amigo, quando ele me perguntou onde eu me via em 5 anos. Eu respondi, rindo, que não sabia nem onde estaria em 1 ano. E a verdade é que não sabia mesmo! Não sabia que minha vinda temporária para o Brasil acabaria se tornando definitiva. Não sabia que eu não conseguiria o visto de trabalho para a Angola e teria que terminar o contrato trabalhando à distância. Não sabia que, por um momento, eu sentiria falta da vida que comecei a construir em Luanda, por mais breves e difíceis que tenham sido os meses passados lá. Não sabia que eu voltaria “de vez” pra Brasília. E sabia menos ainda o quanto isso me faria feliz.

Quando fui fazer o mestrado fora e as pessoas me perguntavam quando eu voltaria pro Brasil, eu sempre respondia “se tudo der certo, eu nem volto”. Quando o mestrado acabou e eu ainda estava procurando emprego, bateu aquele desespero de ter que voltar de vez, não mais apenas de férias. Dava um pouco a sensação de que aqueles dois anos estudando fora seriam em vão. Dava medo de, ao voltar pra casa, acabar me perdendo em um monte de valores e tradições que eu já sabia que não serviam pra mim. Medo de não resistir a essa tal pressão social que tanto angustiava meus amigos que tinham ficado por aqui. Medo de deixar pra trás o que aprendi, só por estar de volta àquela tal zona de conforto. Medo de que essa zona nem fosse tão confortável assim, no fim das contas.

Depois de tanto perrengue passado na Angola, as coisas foram mudando um pouco de perspectiva. Parece que precisei ver os campos (des)minados de lá para perceber que os nossos aqui são risonhos, lindos e têm mais flores. No fim, deixei pra trás uma mala, mas trouxe comigo muito mais…

Aprendi que nenhum fardo é pesado demais quando alguém te ajuda a carregar. E você é muito mais forte do que imagina; basta que você precise ser forte.

Vi que Internet é M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-O, desde que seja uma ferramenta pra te aproximar das pessoas, e não afastar. Quando você tá sozinha, “presa” em casa, internet é liberdade. Quando você tá na mesa do bar com os amigos, larga o telefone!!!

Percebi o quão verdadeira é a música que diz que “a gente se acostuma a muito pouco, a gente fica achando que é normal”. Entendi que é por isso que tantas pessoas vivem e superam coisas que parecem insuportáveis pra quem vê de fora. Por outro lado, o bonito de achar que o “muito pouco” é normal, é que a gente se encanta e se surpreende muito mais facilmente.

Gratidão. Se fosse pra resumir tudo o que aprendi em uma única palavra, seria gratidão. Gratidão por tudo que tenho e pelas pessoas que cruzaram meu caminho. Gratidão por aqueles que me ajudaram nos momentos mais difíceis. E gratidão que se traduz em vontade de poder fazer por outros o que muitos fizeram por mim ❤

Se antes eu tinha medo de estar construindo castelos na areia, Angola serviu pra colocar  umas camadas de cimento, me dando a certeza de que não é qualquer vento que vai levar aquilo que já vivi e as lições que aprendi. Agora ainda tenho a oportunidade de pintar as paredes e decorar esses castelos – que privilégio! E se me perguntarem novamente onde eu me vejo daqui a 1, 2, 10 anos, tomarei emprestada as palavras da minha xará…

Sigo sem saber

Que lugar me pertence

Que eu possa abandonar

Que lugar me contém

Que possa me parar

Enfim, vou errando enquanto o tempo me deixar.

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