Sobre cair, levantar e se jogar de novo

Outro dia eu caí andando de patins e me ralei muito. Doía bastante, por isso fui pedir conselhos pra uns amigos médicos: “Água, sabão, paciência… e para de andar de patins!”. Na hora, não gostei do conselho… mas eles estavam certos, pelo menos na parte da água e sabão. Mas parar de andar de patins? Essa parte eu não queria seguir, não. Afinal, eu ia deixar de fazer algo que adoro só porque levei um tombo?

Isso me fez pensar na vida, de modo geral. Tem mil citações por aí dizendo que o problema não está em cair, mas em não se levantar, e  outras coisas do tipo. No meu caso, levantar depois da queda era imperativo, não tinha outra alternativa. Eu tinha que me levantar, patinar de volta até o carro, ir pra casa.

Então… caí, levantei e pronto? Na verdade, não. O mais difícil não é se levantar, e sim, depois que os machucados viraram cicatrizes, se jogar de novo. Aí é preciso achar o equilíbrio entre, de um lado, aprender com o que deu errado, pra não repetir, e, de outro, não se tornar o gato escaldado que tem medo até de água fria. Com o patins foi fácil – só começar a usar proteção (e ouvir a mãe dizer “eu avisei”).

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Na vida, achar esse equilíbrio é mais complicado, mas a ideia é a mesma: caiu? Levanta. [Substitua cair por “se decepcionar com um amigo”, “levar um pé na bunda”, “não conseguir algo que se quer muito”, ou qualquer outra frustração que lhe convenha]. Mesmo levantando, a gente se machuca, fica sem entender como é que aquilo foi acontecer. Nos primeiros dias [semanas, meses] dói, dá vontade de chorar e gritar. Depois a gente aprende a conviver com as feridas. E aí elas começam a cicatrizar. A gente acaba entendendo que precisa de tempo pra dor passar, mas ela passa – sempre passa (e olhando em retrospectiva, a gente pensa que “nem foi tão ruim assim”). As marcas ficam, faz parte também – e são essas marcas que vão construindo quem a gente é.

Agora, com mais umas cicatrizes pra coleção, aprende a lição… e se joga de novo! Mas, dessa vez, coloca a joelheira, vai…. sua mãe bem que te avisou!

O que não dá, é deixar de aproveitar a vida por medo do que pode dar errado. Porque as coisas sempre podem dar errado, isso é um fato. Mas também é um fato que, sem correr o risco do erro, você nunca acertará. Nunca nem viverá.

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