Existe amor em SP?

Acabo de passar uns dias em São Paulo e, sempre que chego na cidade, me vem à cabeça Criolo dizendo que não existe amor em SP. É claro que existe, penso, discordando dele. Penso nos amigos incríveis que tenho em São Paulo e nos bons momentos que já passei por lá. Se isso não é amor, o que mais pode ser?, perguntaria o Flausino. 

Por outro lado, sair de Brasília também significa ouvir muitos comentários sobre como “Brasília é uma cidade burocrática e sem graça, onde não tem nada de bom pra fazer”. Ninguém cantou isso, mas acho que muitos diriam que também não existe amor lá na capital.

Andei pensando sobre essas coisas e conclui que, no fim das contas, Criolo estava certo: de fato não existe amor em SP. Mas, na verdade, não existe amor em lugar nenhum. Existe amor em você. Ou não.

E acho que isso vale pra tudo aquilo que às vezes buscamos encontrar em algum lugar (seja felicidade, alegria, calma, equilíbrio…). Vale também para aquilo que não queremos encontrar de jeito nenhum e achamos que é possível fugir mudando de localização (tristeza, dúvida, desilusão, solidão, desânimo e afins).

Amor (e todo o resto que mencionei acima) é um sentimento, um estado de espírito. É algo que depende (quase que) exclusivamente de nós. Não faz muito sentido tentar atribuir uma localização geográfica a essas coisas. Se você não estiver bem consigo mesmo, pode estar velejando no barquinho no Caribe ou no hotel mil estrelas em Dubai e nada disso vai te fazer bem [só pra constar, eu não gosto dessa música, mas acho que ela se encaixou aí]. Por outro lado, se tem amor em você, você pode até estar “aqui” e vai ser tudo lindo. E, no caso, “aqui” é qualquer lugar… aliás, qualquer um não, é o lugar onde você está AGORA.

Acho que essa história de tentar colocar sentimentos no mapa e definir uma cidade como “legal” ou “sem graça” é sintoma de um problema maior: a mania que temos de terceirizar a responsabilidade por nossas vidas (o que tem de bom e de ruim nelas). Fazemos isso o tempo todo sem nem nos darmos conta. Fazemos isso quando esperamos que alguém nos faça feliz. Ou quando estamos tristes e achamos que nossa tristeza é culpa do outro. Já me peguei fazendo isso quando, em um momento de muito sofrimento, pensei “ele não tem o direito de fazer isso comigo”. Ainda bem que esse pensamento durou pouco e logo me toquei: “aliás, ELE não. EU não tenho o direito de fazer isso comigo”. Porque, mesmo que a gente não tenha como controlar tudo o que acontece ao nosso redor, sempre podemos escolher como reagir às circunstâncias.

O projeto de lei que permite que empresas subcontratem também para a atividade-fim vem causando tanta polêmica, mas a gente faz isso na vida o tempo todo sem perceber. Afinal, o que é viver, senão amar, ficar triste, angustiado, feliz, perdido, entusiasmado…? Quando é o outro ou o lugar onde você está que faz você se sentir de uma determinada forma, sinto lhe dizer, mas você está terceirizando a sua vida.

E a verdade é que realmente não existe amor em SP. Só você pode levar amor à SP, BSB ou a qualquer outro lugar.

1 Comment

  1. Paula: verdadeiro sinal de responsabilidade consigo mesma, que outros podem chamar maturidade , acima de tudo agradeça a Deus por este insight. Existem pessoas que passam a vida toda sem entender isto. Amo você.

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