Sobre trajetórias desviadas

Descobri que gosto mesmo de escrever e que criar um blog parecia, sim, uma boa ideia. Percebi que, tecnicamente, era muito mais fácil do que eu imaginava. Tá, mas vou escrever sobre o quê? Geralmente a inspiração vem quando estou viajando. E quando as coisas estão difíceis, raramente quando está tudo bem. A maior parte dos meus textos até hoje eram quase que uma sessão de terapia em que eu estava dos dois lados: deitada no divã e rabiscando no bloco de notas fingindo prestar atenção. Tanto que, há alguns anos, a primeira vez que abri um documento do Word para escrever, salvei o arquivo com o nome “text therapy” – e assim ficou, até hoje. 

Quando comecei a escrever, em 2013, eu só escrevia quando tinha algo a dizer, uma história específica para contar. Não é o caso hoje e, certamente, daqui em diante, não será o caso muitas vezes. Por quê você toma um sorvete, abraça alguém de quem gosta, ou dança ouvindo sua música favorita? Porque você quer. Porque aquilo te faz sentir bem. Não precisa ter uma mensagem por trás disso. Descobri que gosto de escrever igual gosto de comer brigadeiro ou andar de patins. Então vai ter post que conta história, mas também vai ter post que não faz nenhum sentido, como esse aqui. Só porque quero escrever.

Queria que o nome do blog fosse Text Therapy, já que tudo começou assim, mas o WordPress avisou que já existia. Damn it! Criatividade nunca foi meu forte, então ficou Sobre Asas & Raízes mesmo. É clichê, eu sei. Existem muitas variações desse nome por aí. Mas, enfim, um clichê tem lá seu valor, captura bem o espírito da coisa… ou não seria repetido tantas vezes.

E, falando em asas, lembrei-me de uma das exposições mais estranhas (e, de alguma forma, tocantes) que já vi na vida. Uma mesa cheia de pássaros empalhados e escrito assim: “Inúmeros pássaros partem em busca de um ideal, mas só trinta o alcançam. Eles serão dados como exemplos a serem seguidos. O que você pensa daqueles cuja trajetória foi desviada? Seriam eles perdedores?”. A artista é a iraniana Narmine Sadeg. Ela fez essa pergunta pra muitas pessoas no mundo todo, querendo saber onde elas se encaixavam: entre os 30 pássaros que alcançaram o ideal ou com os demais?

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A exposição se completava com telas de computador, onde era possível ler as respostas dadas pelos entrevistados. A que mais gostei era mais ou menos assim:

“Já conheci inúmeros desvios no meu caminho e espero conhecer muitos mais. É uma grande oportunidade experimentar esses desvios. Eles nos levam a encontros inimagináveis. A vida nos intima a aceitar novas trajetórias todos os dias. Quando aceitamos esses desafios, a vida nos faz crescer”.

Parece que alguém, em algum lugar do mundo e sem me conhecer me entendeu mais do que eu mesma jamais consegui!

Em Sobre Asas & Raízes, pretendo contar os desvios, não a trajetória ideal. Pretendo falar sobre os encontros inimagináveis – desses que, no fim, são muito mais “ideais” do que qualquer coisa que nossa imaginação limitada nos permite idealizar. E você, anda aceitando o desvios que a vida te oferece?

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