When we are challenged to change ourselves…

“When we are no longer able to change a situation, we are challenged to change ourselves.” ― Viktor E. Frankl, Man’s Search for Meaning

Quando cheguei em Luanda eu pensei que não aguentaria ficar aqui 2 dias e agora 2 meses já se passaram… passou rápido e, no fim das contas, nem foi tão difícil quanto parecia à primeira vista. Se eu parar pra fazer uma lista das coisas que me incomodavam quando cheguei, a maioria delas continua do mesmo jeito. A diferença é que aprendi a conviver com elas. Parece dica boba de livro de auto-ajuda, mas é verdade: tem coisa que não dá pra mudar, mas a gente pode escolher não sofrer. Nem sempre é fácil colocar isso em prática, mas vale a pena o esforço.

Apesar de, objetivamente, tudo continuar igual, muita coisa mudou nesses dois meses…

Deixei de ser fresca… No Brasil, eu já fui chamar o porteiro do prédio pra matar uma barata, agora aprendi até a “conviver” com rato.

Aprendi a acender a chama do fogão com fósforo (é idiota, eu sei.. mas sempre tive medo). No começo, passei uns dias a base de bolacha de água e sal, sem coragem de usar a cozinha. Depois, percebi que minha vó estava certa quando ela dizia que “não tem nada que água e sabão não tira, só ferrugem da língua”.

Eu saía da minha casa para ir na casa de outros brasileiros, e via que as condições em que vivo são muito piores; era triste voltar pra cá. Hoje, eu saio e vejo a realidade da maioria dos angolanos e percebo como sou privilegiada. É só passar uma tarde trabalhando fora e já volto achando que minha casa é o paraíso e que eu não tenho direito de reclamar de nada.

Quando acordo com dor nas costas porque meu colchão é muito ruim, lembro que os guardas dormem num pedaço de papelão.

Eu ficava chateada de pensar que meus colegas não se importavam comigo. Agora, vejo que a vida é muito mais difícil pra eles do que pra mim.

A primeira vez que a energia acabou foi num domingo a tarde e eu não sabia que tinha gerador. Meio desesperada, tomei Dramin e dormi até segunda. Ultimamente tem tido energia da rede poucas horas por dia e já até me acostumei que, no fim de semana, não se liga o gerador durante o dia. Ao invés de me desesperar por não ter internet e ar condicionado, pego um livro e vou ler na varanda.

Ou seja, nada mudou, mas agora eu consigo rir de coisas que antes me davam vontade de chorar. Num balanço geral:

Eu gosto de morar aqui? Não. Eu me acostumei, mas gostar é difícil.
Eu acho que vale a pena? Muito. É tipo um PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) pessoal.
Eu estou contando os dias pra voltar pro Brasil? Siiiiiim… e está chegando, porque em Dezembro meu visto expira e tenho que voltar pra renovar 🙂

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