Se a vida é um livro, quem não viaja só lê uma página

Passei todos esses dias sem postar por um bom motivo… comecei a viver mais e pensar menos na vida. Conheci um grupo super legal de brasileiros, com quem já me diverti bastante, tenho trabalhado bastante também, então não sobra muito tempo pra mimimi. Mas em cada momento de dificuldade, volta a tal pergunta: “será que tanto esforço vai valer a pena”? E aí eu começo a pensar no que me trouxe aqui. Dizem que quem viaja está fugindo de algo ou correndo atrás de alguma outra coisa. Eu não gosto de imaginar que estou viajando pra fugir de nada. Mas estou correndo atrás de que? 

Nos meus últimos meses em Paris, a conversa mais recorrente que tinha com meus amigos do mestrado era sobre o que faríamos depois de formados – não podia ser diferente. Numa dessas conversas um amigo me disse que queria ficar em Paris, porque tinha sido muito difícil se adaptar quando ele chegou há dois anos e, agora que estava bem adaptado, não queria ter que passar por tudo aquilo de novo. Eu falei que estava disposta a ir pra (quase) qualquer lugar. Ele perguntou se eu não gostava de Paris. Eu disse que amava e, por isso mesmo, estava disposta a ir para lugares novos.

Para ele isso não fazia nenhum sentido, mas aí tentei me explicar. Eu amava morar em Paris quando me mudei pra Rabat e a minha experiência no Marrocos foi fantástica. Se eu tivesse me prendido ao “gostar de Paris”, teria perdido TANTA coisa, tantas pessoas maravilhosas que conheci em Rabat e todas as coisas que aprendi em tão pouco tempo – sobre outras culturas, sobre mim mesma, sobre como somos, afinal, todos humanos em qualquer lugar do mundo, com as mesmas preocupações, medos, alegrias…

Mesmo com essa explicação meu amigo ainda não entendia muito bem: se você adora o lugar onde está, por que deixar isso pra trás pra ir em busca de algo desconhecido? Falei pra ele que era a pergunta que estava errada. Na verdade, eu não acho que estou deixando nada pra trás. Tudo o que vivi em Paris e os amigos que fiz agora fazem parte de mim e isso a distância física não vai mudar. O que vivi em Rabat também vai continuar sempre comigo. O que vivi em cada cidade onde morei no Brasil também. A primeira grande mudança foi sair de Minas e ir pra Chapecó em 2001. Morei lá menos de dois anos, quando era criança e há mais de 10 anos eu não volto em Chapecó, mas o que eu aprendi lá continua comigo e, certamente, sem essa experiência eu seria diferente hoje. O mesmo pra Sorocaba, Uberlândia e Brasília.

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Gosto de uma frase que diz que, se a vida é um livro, quem não viaja só lê uma página. Acho que com essa metáfora talvez eu tivesse conseguido me explicar pro meu amigo mais facilmente. Quando você está lendo, se a história está muito boa, você não continua relendo a mesma página pra sempre. Pelo contrário, você está sempre ansioso para ver o que vem depois. Voilà como eu me sinto e o que me trouxe pra Luanda!

E assim como alguns livros são mais fáceis de ler do que outros, algumas páginas de viagem também são mais fáceis. Essa de Luanda ainda tá parecendo livro antigo, escrito em Português cheio de inversão, desses que você tem que ler e reler cada parágrafo pra entender. Mas espero que, depois de me acostumar com essa “linguagem rebuscada”, vou chegar no fim da página ansiosa pra ler (viver) a seguinte.

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