E começa a página de Angola…

Aqui em Luanda estou morando e trabalhando na mesma casa. Como os outros funcionários da organização são daqui, eu sou a única que mora na guesthouse. A casa é bem longe do centro, não tem muita coisa na vizinhança e eu só posso sair sozinha durante o dia e aqui por perto. Então, esse não foi o melhor fim de semana da minha vida. Dormi bastante, assisti filme e séries na internet sábado e quase morri de tédio domingo porque a internet não funcionava – só depois fui descobrir que ela é pré-paga e, um dia de filmes já tinha esgotado o saldo do cartão. 

Andei um pouco aqui por perto, na rua perpendicular à minha. Fiquei feliz de ver que tem uma universidade aqui do lado, com cartazes de festa e tal, tinha outras mercearias e restaurantes, salão de beleza e até loja de roupa – que, na verdade, é qualquer casa com roupas penduradas na janela. É claro que depois desse “longo tour”, tive muito tempo pra me perguntar “o que eu vim fazer aqui?”, “será que aguento ficar por um ano?” e outras coisas do tipo. Ainda não tenho resposta pra essas perguntas, mas hoje o dia já foi bem melhor.

Um colega me chamou pra almoçar e perguntou se eu já tinha provado comida angolana. Eu disse que não e ele falou que ia me levar em um restaurante tradicional pra eu ver, mas que se eu não gostasse era pra eu falar e íamos em outro. Fomos andando e, no fim da rua asfaltada onde tem a universidade viramos a direita – legal, já uma rua a mais pra expandir meus horizontes.

Aí entramos num portão, o “restaurante”. Na verdade, era quase um acampamento. A cozinha era uma tenda, churrasqueira e fogo à brasa, uma bacia com água pra lavar louça, nada era conectado em um cano ou usava eletricidade. Realmente poderia ser um acampamento no meio do nada. Mas estava cheio de estudantes na universidade, todos bem vestidos (igual as pessoas no Brasil – em Uberaba, pelo menos, hahah – se vestem pra ir no shopping… meninas de salto, maquiagem, meninos de camisa de botão, etc.). Meu primeiro pensamento era “fudeu, como vou comer isso?”, mas quando ele perguntou se eu queria ficar eu que não ia ser antipática – “é claro”. Quando ele ia me explicando o cardápio e eu me preocupava com o tanto de mosquito ao redor vi um ratinho passeando lá perto das panelas. Gelei… se eu desistisse ia ficar muito feio. Aí lembrei que já vi um rato (muito maior, btw) no Mc Donalds do Museu do Louvre… então, foda-se. Pedi arroz com frango assado e fomos no sentar.

No fim das contas, a comida era muito boa, era um terço do preço do outro restaurante bonitinho onde eu tinha comido no fim de semana, e ainda nos sentamos com outras pessoas que ele conhecia… foi a primeira vez que conversei com pessoas fora os meus colegas de trabalho, todos muito legais, todos adoram o Brasil e sabem muito do nosso país. Sabem que o Dunga é o novo técnico da seleção, mas também sabem que a Dilma é a presidente e que a Marina tem chance de ganhar as eleições. Eles adoram o Brasil e assistem bastante Globo e Record. Na minha tv, infelizmente, só funcionam dois canais chineses.

Pra concluir, esses primeiros dias não têm sido muito fácil. Faltam alguns dos confortos de casa. Tem os pernilongos, a internet que não funciona direito, a energia que cai por horas, a comida que não fica pronta se eu não cozinhar. Mas esse almoço me fez ter a certeza de que, para se sentir bem, a gente precisa é de amigos, de pessoas com quem compartilhar o dia-a-dia, muito mais do que dessas comodidades.

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