Egito, não foi dessa vez…

Estou em Paris!

Ontem, quando finalmente tive acesso à internet, vi como todos estavam preocupados e me pediam para ir embora do Egito. Até aquele momento, eu estava decidida a ficar. As notícias internacionais eram bem ruins, mas a mídia sempre é sensacionalista e faz as coisas parecerem piores do que são. Sim, eram dias tumultuados, mas apenas isso “dias”. Eu poderia ficar em um hotel no aeroporto ou, até mesmo, ir para Maadi (umas das regiões mais tranquilas do Cairo, até agora) e esperar em casa até que tudo se acalmasse.

Pensei que, depois de falar com a minha família, conseguiria tranquilizá-los, mas não foi o que aconteceu. Não era justo nem fazia sentido que eu estivesse tão bem enquanto todos se preocupavam comigo por um motivo que eu podia facilmente evitar. E, mais, percebi que eu estava bem porque estava cercada de “amigos” (mesmo que eu tivesse acabado de conhecê-los, era assim que me sentia), mas todos iam embora no dia seguinte. Com certeza as coisas não seriam tão simples quando eu tivesse que passar dias trancadas em casa ou em um quarto de hotel, sozinha, em um país desconhecido, onde eu mal consigo me comunicar com as pessoas.

Não foi fácil, mas decidi voltar pra Paris. E mesmo que eu não tenha respondido individualmente a cada mensagem, quero agradecer muito a todos, pois cada comentário de “você tá louca, Paula? Vai embora daí!” contou muito para a minha decisão.

Decidi voltar na quinta a noite e comprei a passagem. Como o voo era só na sexta a tarde tive ainda algum tempo para fazer o que me trouxe aqui em primeiro lugar: tentar entender um pouco dessa cultura, da vida dessas pessoas supostamente tão diferentes de nós.

Aproveitei esse tempo para conversar com quem eu podia (basicamente, o pessoal da AIESEC) e observar os demais. Me senti um pouco como meu avô assistindo TV: ele não escuta direito, então, às vezes, ele junta as imagens, as legendas e cria sua própria história. E assim eu fazia. Observando as pessoas, as legendas eram as poucas palavras que eu podia entender e, disso, eu criava minhas histórias.

E é claro que eu não tive tempo de “entender” nada do Egito. Pelo contrário, só fiquei mais curiosa e interessada. O mais irônico de tudo isso é que cheguei no Egito com muito medo e, depois de dois dias em condições, no mínimo, estranhas, fui embora com uma única vontade: voltar logo! E assim me despedi das pessoas que fizeram esses dois dias tão agradáveis, apesar de tudo: vejo vocês em breve, inshallah.

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